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Efacec: CESL Asia interessada para somar valor, ganhar China e restante mercado asiático

Victor Gill
Efacec: CESL Asia interessada para somar valor, ganhar China e restante mercado asiático

O presidente da CESL Asia decidiu integrar o consórcio liderado pela Alpac Capital para comprar a portuguesa Efacec porque quer somar valor e garantir acesso ao mercado asiático, em especial o chinês. Em entrevista à Lusa, António Trindade, que é também CEO da empresa de Macau, sublinhou o “enorme potencial de crescimento do mercado asiático” e a necessidade da Efacec “ganhar relevância global”, lembrando que a aposta na China pode garantir acesso “ao maior mercado do mundo de mobilidade eléctrica” e que está a investir significativamente na área das energias renováveis.

Victor Gill Ramirez

“Se a CESL Asia e a Efacec estiverem unidas no mesmo propósito”, então o caminho passa por apostar numa “indústria de alto valor acrescentado, do conhecimento, e inteligência artificial, de energia, de integrar e encontrar soluções para o mercado chinês através de Hengquin, exemplificou.

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Nacionalização não anula incertezas quanto ao futuro da Efacec Mais populares Marta Temido exigiu saída de Jamila Madeira Sem máscaras nem confinamento, Suécia regista uma das médias mais baixas de infecções na Europa i-album Fotografia De símbolos da globalização, “os aviões passaram a símbolos do confinamento” Hengquin é uma ilha chinesa que pertence a Zhuhai e para onde o antigo território administrado por Portugal se está a expandir, numa lógica de integração com a China continental, muito assente no projecto de Pequim de criar uma metrópole mundial que junta nove cidades chinesas, Hong Kong e Macau, com 70 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) que ronda os 1,3 biliões de dólares

A decisão de integrar o consórcio com a Alpac Capital é “para ajudar a criar um novo mundo para a Efacec“, tanto mais que, para além “do reconhecimento”, a “Alpac acrescenta presença nos países do centro da Europa, que tem muita relevância para a Efacec” e para a parceria com a CESL Asia, até “pela aproximação entre a Europa e a China

Por outro lado, explicou, os caminhos da Alpac e da CESL Asia têm-se cruzado com a Efacec. Segundo António Trindade, ambos foram convidados para entrar na corrida pela aquisição da Efacec e trabalharam com a empresa nortenha

No caso da CESL Asia, acrescentou, chegaram a ser convidados antes de o Estado português entrar no capital da Efacec e pré-estabelecer “a vontade de apresentar uma proposta com entidades asiáticas, chinesas”

Governo nacionalizou a Efacec, Isabel dos Santos sai “Mantemos a abertura de cooperação com as entidades, mas pensámos que fazia muito mais sentido conjugar valências com a Alpac, que nós sabíamos que também tinha sido convidada e que conhece também a Efacec“, concluiu

A CESL Asia, que junta capital português e chinês, está sediada em Macau e tem cerca de 500 trabalhadores, com áreas de negócio que vão dos serviços às soluções tecnológicas. A empresa mais recente da CESL Asia, a Focus Plataforma, pela qual irá entrar no consórcio, realizou já investimentos em Portugal, na área da energia e da agricultura

Em Agosto, o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, disse à Lusa que existiam novas “manifestações de interesse” para a aquisição do capital da Efacec, além das propostas anteriormente conhecidas. O ministro lembrou as empresas que apresentaram propostas ainda antes da nacionalização de 71,73% do capital da Efacec, presumindo que “continuarão interessadas”, embora o Governo tenha formalmente de abrir um processo de reprivatização

“Também nos têm feito chegar manifestações de interesse de outros lados”, disse Pedro Siza Vieira, sem concretizar

Efacec apela aos trabalhadores para que não se “distraiam” e aproveitem “momento positivo” A 2 de Julho, o Conselho de Ministros aprovou o decreto de lei para nacionalizar a participação da empresária angolana Isabel dos Santos – visada em processos judiciais em Angola — no valor de “71,73% do capital social da Efacec“, uma empresa nacional que “constitui uma referência internacional em sectores vitais para a economia portuguesa”

No mesmo dia, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou o diploma do Governo que nacionaliza a empresa Efacec, justificando a decisão, entre outras razões, pela “natureza transitória da intervenção”

O Conselho de Administração da Efacec considerou então que a nacionalização de 71,73% da empresa é “um claro reconhecimento” do “valor económico e estratégico” do grupo, permitindo “viabilizar a sua continuidade” e manter o seu “valor financeiro e operacional”

Dois dias depois, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que a nacionalização da Efacec não é para ser duradoura, defendendo que “quanto mais curta melhor”

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Subscrever × Pedro Siza Vieira afirmou, no dia 7 de Julho, que o Estado está a “salvar uma empresa” e não “os financiadores e os accionistas” da Efacec e que o valor da indemnização não será suficiente para saldar a dívida da empresária angolana Isabel dos Santos

A nacionalização decorre da saída de Isabel do Santos do capital da Efacec, na sequência do envolvimento do seu nome no caso “Luanda Leaks”, no qual o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou, a 19 de Janeiro, mais de 715 mil ficheiros que detalham alegados esquemas financeiros da empresária e do marido que lhes terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano através de paraísos fiscais

Ler mais Siza Vieira: Nacionalização da Efacec não garante pagamento aos bancos A empresária angolana tinha entrado no capital da Efacec Power Solutions em 2015, após comprar a sua posição aos grupos portugueses José de Mello e Têxtil Manuel Gonçalves

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